Memórias da infância


alex

Foto: Eu com alguns meses ou anos de idade.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Casimiro de Abreu em Meus oito anos

Tenho algum temor poético quando penso em quais serão as lembranças que as crianças atuais terão no futuro, do seu presente infantil. Que tipo de experiências produtivas e relevantes elas internalizarão que às farão pensar: “Puxa vida, como foi bom ter vivido isso!

Da minha infância lembro de muitas cenas que me fizeram felizes quando não tinha nada à me preocupar, exceto em qual tipo de personagem criaria para conviver no meu próximo dia, já que era, ainda muito pequeno, filho único.

As experiências (re)criadas, vivenciadas e observadas constituíram elementos fundamentais para a (re)construção da minha personalidade.
Enquanto criança, lembro-me das minhas brincadeiras por debaixo de abacateiro, onde tinha um balanço confeccionado por cordas e um pedaço de madeira.

Dos meus shows musicais acima de uma plataforma, que antes era o chão de um paiol de milho, e que usei dos sabugos dos mesmos como microfone, enquanto cantarolava Luiz Caldas, Amado Batista e Xuxa.

Lembro-me do pé de mexerica à encosta da estrada cheia de matos e com uma cerca perigosa de arame farpado que tínhamos de desbravar para conseguir a fascinante ação de subir, colher, chupar e confabular. Tínhamos a imaginação aflorada, como toda criança, portanto viajávamos sempre.

Da minha infância ainda lembro das idas e vindas rumo à escola, cheio de vontade de conviver/brincar com os colegas que compartilhavam do mesmo prazer: CONVERSAR. Conversávamos muito, cantarolávamos trovas pornográficas enquanto os adultos não conseguiam nos ouvir. Era muito interessante a forma respeitosa que tínhamos com os que nasceram antes de nós e certamente mereciam tal atitude.

Da minha infância, lembro de ficar encantado com um toca-discos amarelo, onde por pouco, furei meus discos de vinil da Xuxa e Amado Batista, de tanto que os ouvia.

Lembro-me dos perigos existentes e temidos por nós, do tipo: subir no pé de ingá, tomar banho no lago, jogar pedra nas vacas que estavam no pasto, de dar gargalhadas com o simples fato de jogar uma acerola na cabeça do colega, sem nos preocuparmos se esse, nervosamente, revidaria da mesma forma.

Lembro do meu primeiro banho de chuva!

Da minha infância lembro de respeitar meus pais. Do ciúme com minha irmã ainda no útero da minha mãe e da minha alegria quando ela nasceu. Lembro inclusive que tinha muito medo de que ela ao nascer me tirasse os benefícios de ser um filho único, principalmente a atenção dos meus pais.

Lembro do meu medo do boi da cara preta, do moço que morreu no lago, do andarilho que passava em frente à minha casa, e que não me deixaram nenhum trauma. Ou será que deixaram?

Enfim, lembro de uma infância inocente, sem violência gratuita e nem muito menos com vícios negativos. De momentos felizes que me incitam vez ou outra à uma nostalgia. De gente que convivia sem qualquer temor em saber quem era o outro, pois o que importava era conhecer, respeitar e conviver.

Parafraseando Casimiro de Abreu, digo: “Oh! que saudades que tenho, do presente ser como o passado”

Feliz Dia das Crianças!

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Um comentário sobre “Memórias da infância

  1. Que delícia ler esse texto! Mil recordações vieram na lembrança de minha infância. Um tempo bem mais remoto, mas de muito amor, inocência e felicidade! Parabéns amigo!

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