Em tempos de eleição



Os homens fazem sua própria história  mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.
Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte
Há muito tempo estou sem exercer o processo da minha escrita filosófica devido ao cotidiano corrido de trabalho e estudo. Mas o processo eleitoral me deixa muito indignado, exoticamente alegre e indiscutivelmente tenso, o que consequentemente provoca uma inspiração arrebatadora para explanar sobre um novo olhar da ação política dos nossos futuros funcionários, prefeito e vereadores.
Fico indignado porque fazemos parte de uma democracia escamoteada, que vem a séculos enganando-nos afirmando que somos livres e libertos para agir da forma como desejamos. Por outro lado, a mesma democracia nos obriga exercer determinadas funções e ações, sem ao menos ter o direito de escolha, ou vai, ou racha.
A nossa própria Constituição de 88 se contradiz quando menciona no seu artigo 5º, incisos II, III e IV que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante e que é livre a nossa manifestação do pensamento.
Ora, se nossa liberdade está cerceada por uma legislação, já não estamos por completo libertos, fato.
Vivemos numa arena teatral diariamente para tentar sobreviver nessa sociedade que na maioria das vezes só quer nos “usar”, já diria coronel Jesuino em Gabriela, sem direito de emitir nossos pensamentos para não infringir a moral e a ética e evitarmos a ação de sermos marginalizados por nossas palavras verdadeiras proferidas.
Exoticamente alegre pela diversão que as caricaturas políticas nos brinda com ações inimagináveis e discursos a moda vamos embora, que deixam bem claro a que cada candidato veio, quais os seus objetivos e quão gabaritado está para assumir um cargo público.
É inconcebível um ser humano que não consegue administrar a sua vida pessoal, administre os cofres públicos. É aterrorizante imaginar um ser que não tem noção nenhuma de políticas públicas administrando uma cidade, mesmo que interiorana, para uma população carente de cultura, de uma educação qualitativa em todos os níveis, de saneamento básico, de uma saúde pública humanizadora, enfim, de questões que envolvem intenções únicas e exclusivamente relacionadas aos projetos de políticas públicas para determinado município.
As gargalhadas são fundamentais, até mesmo para que não assumamos o personagem de loucos desvairados e saiamos por aí dando cabeçada pelos os muros.
Indiscutivelmente tenso, pois a mesma constituição que diz sermos livres, nos informa em seu artigo 14º, parágrafo 1º e inciso I que o voto é obrigatório para os maiores de dezoito anos. A vontade que dá é de sair gritando pelas ruas: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós” e ansiar para que juntamente venham vários outros com o mesmo sentimento de impotência, para demonstrar aos coronéis que juntos somos mais que vencedores.
O que é dinheiro escondido dentro da cueca diante do fato da distribuição visivelmente exposta, para quem possa enxergar. Compras de votos descabidas, variando desde cestas básicas até  o imaginável. O que devemos considerar como o ato de furto? O que é fraude? Como confiar numa pessoa que me oferece dinheiro pelo meu voto? Somos ou não meros espectadores? Somos verdadeiramente cidadãos?
Em tempos de Gabriela, as eleições movimentam as cidades como os senhores movimentam o bataclã, muito dinheiro, muito desejo e pouca ação. Viver tudo isso nos torna PHD em identificar um ser humano dotado de capacidade para agir conforme a minha conveniência pessoal, mesmo sendo eleito para governar pelo todo.
O meu desejo é que consigamos mudar a nossa história vinculada a uma legado de corrupção, calúnias e politicagens como afirma o pensamento de Marx no início do texto. Para isso, precisamos de novos pensamentos, novas atitudes, novos seres humanos, pois o resto já está muito arraigado às contravenções.
Que Deus nos abençoe neste universo de “Babel”!
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