Estudar para quê?


Artigo publicado na Revista Estilo Off edição de Abril/2012

“A maneira de fazer é ser.” – Lao Tse

A busca por um emprego e consequentemente uma estabilidade financeira, sempre foi e sempre será o sonho de cada pessoa que procura a educação como passaporte para tais realizações. Quem nunca ouviu quando criança ou adolescente seus responsáveis dizerem: “Se queres ser alguém na vida, estude.

Infelizmente estudar tornou-se uma ação de obrigatoriedade. Isso não somente na esfera do ensino básico, como também no ensino superior. Ou seja, as pessoas estudam pelo simples objetivo de TER, não refletindo quão importante é o papel do estudo na formação do SER.

Muitos indivíduos ainda buscam graduar-se com a simples intenção de adquirir um diploma. Esse “poderoso” pedaço de papel é o objeto de desejo de muitos. Mas quem ainda crê que com um diploma fica mais fácil conseguir um futuro na vida, sinto informar que esse pensamento é um ledo engano. Muitos graduados e até especializados enfrentam a dramática realidade do desemprego, mesmo com o mercado capitalista borbulhando de oportunidades, tendo em vista a “desfragmentação” das áreas de trabalho.

Na educação ainda existem muitas confusões entre a liberdade de expressão e a libertinagem acelerada. Mais do que um diploma, o profissional precisa repensar sua postura diante deste mercado sedento por bons profissionais e cheio de concorrentes buscando os mesmos sonhos.

Uma das principais funções de uma Instituição de Ensino é formar pessoas capacitadas para o mercado de trabalho, unindo conteúdo teórico e atividades práticas que busquem (re)construir no indivíduo que se propõe para tal, seu comportamento diante do mundo social e do mundo profissional. É um conjunto de fatores, um conjunto de qualidades e de comportamentos a serem milimetricamente operacionalizados para que o indivíduo consiga o seu papel como protagonista no ambiente de trabalho.

Outro dia ouvi de uma estudante de licenciatura em Pedagogia que a mesma achava um absurdo a direção proibir o uso de vestimentas inadequadas no ambiente escolar, como short e mini-blusa. A estudante crê que essa é uma ação arbitrária. Ora, se a escola também tem como objetivo promover educação sob todos os âmbitos, digo bio-psico-social, mais do que justo esse tipo de normatização. Se o indivíduo não tem a noção lógica do que é plausível para sua vida profissional, cabe a Instituição lhe provocar essa reflexão com o intuito de lhe dar a opção de escolha: quero ou não quero ser um bom profissional?

Vivemos num eterno reality show, onde os olhos dos outros estão a todo o momento analisando-nos de forma criteriosa. Aí surge a pergunta básica para auto-reflexão: Você se contrataria usando um shortinho e uma mini-blusa numa entrevista de emprego?

Ao longo da nossa existência acadêmica e social, vamos construindo o nosso marketing pessoal paulatinamente, através do comportamento, da vestimenta, da forma como executamos as tarefas propostas. Nunca é tarde para lembrar de que o universo gira em círculos e de que o estudante de hoje é o doutor de amanhã e o doutor de hoje pode ser o estudante de amanhã.

O mercado aderiu uma gama imensa de possibilidades de empregabilidade. Com isso, surgiram cursos para todos os gostos, de curta duração, com um valor mínimo, mas que nem sempre preparam o indivíduo para o trabalho, pois os empregadores buscam profissionais que aliem capacidade intelectual, conhecimento teórico e um comportamento adequado. Isso porque sua empresa fica aliada a imagem de todos os componentes da equipe.

O profissional de hoje, mais do que nunca, necessita criar valor para a sua imagem com o objetivo de promover uma confiança qualitativa no cliente suficiente para que o mesmo adquira determinado produto.

Peter Drucker[1] (apud Administradores) diz que o conhecimento era um bem privado, associado ao verbo SABER. Agora, é um bem público ligado ao verbo FAZER. Ter atitude, demonstrar credibilidade e ter transparência, são qualidades indispensáveis para um profissional que almeja um lugar ao sol.

O que mais me incomoda é observar que as pessoas têm a idéia errônea de que o que é público não carece de valor. Vejo estudantes desvalorizando suas próprias capacidades, ao dizerem que determinado curso e/ou determinada Instituição de Ensino não prestam. Estudantes que buscam no público a facilidade da gratuidade, mas em contrapartida não dão o devido valor de estarem ocupando uma vaga pública.

Ora, se estou convicto de que o curso e a Instituição que escolhi são ruins, porque permaneço nele se o meu objetivo com eles é dar inicio ou alavancar minha carreira? Que profissional pretendo ser estudando num lugar que considero ruim? Eles esquecem que 90% do seu sucesso enquanto profissional graduado ou especializado em determinada área depende somente deles. E mais, esquecem que ao criticar algo sem fundamentação, coloca em dúvida também, o seu papel dentro do processo.

Quando Lao Tse diz que a melhor maneira de fazer é ser, dá-nos a dica de que precisamos em todas as esferas de nossa vida (re)pensar nosso comportamento para que no fim consigamos fazer com qualidade e comprometimento o que nos é determinado. Para isso é indiscutivelmente necessário SER!

Alex Soares é professor, colunista do Jornal Macaé News e colaborador da Revista Estilo Off. Contatos: alexsandro.soares@gmail.com


[1] DRUCKER. Peter, Frases Administradores. Disponível em: http://www.administradores.com.br/aperfeicoamento/frases/mais/?offset=2. Acesso em 18 mar 2012.

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