Artigo: Eu prometo!


Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros.
Voltaire
Eu prometo! Prometo evitar dizer: Eu prometo, pois o sentido deste sintagma já se perdeu pelas nuvens e sabe Deus quem irá encontrá-lo. Ainda bem que promessa não é dívida, porque se fosse, alguns governantes do nosso país teriam uma dívida bem maior do que a antiga dívida externa para pagar. Uma dívida com cada um de nós brasileiros, que a todo o momento se depara com situações inescrupulosas realizadas com o meu dinheiro, com o seu dinheiro, com o nosso dinheiro suado depositado na esperança de se ter um país melhor e socialmente igualitário.
Ligo a TV e vejo o maior espetáculo de todos os tempos estampado na face de quem puder aguentar até o final do terceiro ato, onde os protagonistas são os nossos governantes, que prometem, dizem que fazem, dão suas justificativas para serem reeleitos, sorriem, ficam sérios, fingem que nada acontece… Acesso a internet e fico sabendo que estes tipos de ações não estão somente distantes da minha cidade, já se alastrou, chegando aos interiores do país.
É um querendo aniquilar o outro, cada um com seus projetos pessoais, com seus ideais particulares. Parece até que eles se esquecem de que estão ali para decidirem a vida sócio-econômica-cultural de indivíduos que depositaram sua confiança nos mesmos, com o intuito de receberem como retorno o mínimo de respeito possível.
Os espectadores?! Quem são?? Ahh! Somos nós, o POVO que luta diariamente para pagar o salário desses protagonistas, que andam por aí de carro do ano, casa na praia, viagens pelo exterior e alguns mimos a mais.
Certamente eles merecem palmas. O poder de convencimento é impressionante. Quem é Fernanda Montenegro? Quem é Tarcísio Meira? Lilian Cabral é fichinha perto deles. Esses ilustres e maravilhosos atores da TV brasileira são mínimos diante de tanta perfeição, como a do Deputado Fulano de Tal, o Senador Ciclano e o candidato a prefeito Tal, amigos dos pobres e necessitados.
E o picadeiro fica armado, só que de forma inversa. Os “palhaços” não participam ainda da apresentação principal. Ficam estáticos, desolados, jogados ao relento como se eles fossem simplesmente espectadores. Como se não fossem eles que contratassem os protagonistas.
Neste espetáculo se vê de tudo! Frases e falas do tipo:
-“Eu respeito você!”
-“Eu prometo!”
– “Posso contar com o seu voto?”
-“A luta continua companheiros!”
Continua? Para quem? A sim, com certeza continua para o povo, que luta todos os dias para sua sobrevivência e para alimentar os filhos deste solo! O que estão fazendo com nossa pátria amada, idolatrada, salve, salve? Onde querem chegar? Ainda ouço pessoas dizendo que não irão votar em ninguém nas próximas eleições, pois todos são iguais, para quê perder o tempo?
Vejamos a desvalorização da palavra, da promessa, do respeito e do compromisso assumido diante de tanta gente. A sociologia, a Filosofia, a Pedagogia, a Psicologia, enfim, as áreas relacionadas aos seres humanos dizem que a educação prepara na formação da criança as condições essenciais de sua própria existência. É através dela que a criança se socializa. Então meus amigos leitores, temos de repensar nossa contribuição para a socialização dos políticos corruptos que passam por nossa vida, enquanto alunos, filhos, amigos e iguais.
E ainda existem pessoas que dizem não gostarem de política. “Respiramos” política o tempo todo. E precisamos dela tanto quanto ela precisa de nós para existir. Platão já dizia: “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam”, simples assim.
Diante de tantos escândalos e promessas, me sinto como Elisa Lucinda na sua poesia Só de sacanagem, onde a escritora diz que seu coração está aos pulos, o meu também está e acredito que o seu coração, que lê este artigo neste momento, também esteja. Pois vemos diariamente as dificuldades aumentando e nossas esperanças se esvaindo pelo ar. Não sei até quando aguentaremos tanta hipocrisia, mas tenho a certeza de que como Elisa Lucinda, sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser dará para mudar o final.
Eu prometo tentar, e você?!
*Artigo publicado na Revista Estilo Off de março/2012
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