Você e o mundo


A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.

Voltaire

O ano de 2012 chegou! Creio que como eu, todos recomeçam cheios de esperanças de termos 366 dias de muita saúde e trabalho para conseguirmos conquistar os outros prazeres que a vida pode nos proporcionar se tivermos esses dois ingredientes aliados.
Infelizmente ou felizmente, algumas coisas não mudam com o passar dos anos. Iniciamos mais um deles com ruas alagadas e cidades inteiras destruídas pelas enchentes que atingiram todo o noroeste fluminense e a região da zona da mata mineira.
Muitas pessoas desalojadas, com perdas significantes de bens materiais. Outros totalmente isolados em suas residências sem terem para onde ir, o que comer e beber. E alguns com a lamentável perda total de vida de parentes próximos e/ou conhecidos.
Ver as pessoas passando por essa situação é sem dúvida alguma uma sensação muito triste, mesmo sabendo que muitas das vezes os culpados são os mesmos por construírem em lugares inapropriados, por jogarem lixo nos rios e encostas e por não se preocuparem com a natureza ao seu redor como deviam. Mesmo assim, sofremos pela situação vivida e pela perda, frente à reação da natureza.
Apesar dos acontecimentos, continuei com minha intenção de iniciar este ano na Revista Estilo Off da mesma forma como terminei o 2011, escrevendo algo bom, que inspirasse nosso ano com muitas coisas positivas e que fosse enriquecedor, para que os leitores tivessem o desejo de mudança nesta nova etapa de suas vidas.
No meio de tanta tragédia, eis que escrevo sobre uma vertente que considero muito positiva… Pode parecer brincadeira, mas não é. Quero falar de política, de governabilidade, de sociedade.
O filósofo alemão, Karl Marx tem uma citação que reflete muito bem o que quero explanar: “Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo.” Modificar o mundo pode parecer complexo demais, mas modificar a nossa existência neste universo é imprescindível para se evitar tais acontecimentos trágicos. Eu explico!
Somos todos filósofos em algum momento de nossas vidas, quiçá nelas por completo. Refletimos sobre vários aspectos cotidianos e tiramos nossas conclusões, que na maioria das vezes temos como verdades absolutas. Pois bem, se é para ser filósofo na intenção de modificar ou (re)construir algo nas pessoas, me permito.
Através de tanta desgraça alheia observei que nós (povo) somos a melhor forma de governabilidade existente. É incrível como as pessoas se unem literalmente na alegria e na tristeza. Prova disso? Abracei pessoas desconhecidas no Reveillon, que nunca imaginaria encontrar, num momento de plena felicidade, ao mesmo tempo em que abracei pessoas desoladas com a perda total devido às enchentes e que minimamente pude contribuir para amenizar sua tristeza.
O conforto da alma só Deus pode dar, mas a sensação de ter feito minha parte, por menor que fosse, é quase que indescritível. Nessas horas qualquer atitude relevante sua, significa muito para quem vivencia tal momento. Na tristeza as pessoas se unem, solidarizam, mesmo sem conhecer umas as outras. Por menor que seja o poder aquisitivo, as pessoas doam, sem se preocupar pelo amanhã de si próprias.
Isso é governar. Esse ato de se colocar no lugar do outro, sem almejar benefícios próprios, sejam eles, políticos ou não, é a mais simplória forma de governabilidade verdadeira. A ação de beneficiar o todo, sem resquícios individualistas é a melhor forma de tentar resolver a situação de calamidade.
Se a filosofia é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, façamos isso de forma clara, límpida e cotidiana. O mundo desvinculou o ato de ser político do ato de politizar. E nós, população, temos um poder que deixamos de lado sempre, alegando que não adianta agir, pois o que está feito, está feito e não se muda; que é o poder de tomada de decisões.
Nós juntos, somos os verdadeiros governantes da nação. Nós somos os políticos que fazem ação social, sem a necessidade de ter a imprensa noticiando tal benfeitoria, a todo o momento.
Esse amor que nos une dando força para sobreviver na caminhada da vida e de alguma maneira ajudando aos que assim precisarem, mesmo sabendo que os caminhos são diferentes, mas quando existe a necessidade estamos sempre ali, acolhendo uns aos outros, é a maior comprovação de que nós somos os governantes ideais para este mundo.
Somos os governantes sem resquícios de politicagem. Sem a intenção de usufruir da tristeza para justificar um trabalho que deveria ser desenvolvido constantemente e muito menos, sem a maldade de aproveitar a tragédia para ganho de benefícios próprios.
Minha intenção com esse texto é provocar reflexões e ações, e não propor respostas prontas e acabadas, até porque não creio na existência fatídica do “definitivo”. Minha filosofia neste texto parece demasiadamente utópica, mas não é.
Termino dizendo que 2012 é um ano eleitoral. É nesta hora que devemos exercer a nossa capacidade de filosofar aliada a tomada de decisões. Este é o momento da renovação das esperanças, por mais que a nossa realidade nos mostre às vezes de que a esperança jaz. Pensem nisso e um ano de realizações para todos nós!

*Alex Soares é professor, colunista do Jornal Macaé News e colaborador da Revista Estilo Off. Contatos: alexsandro.soares@gmail.com

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