Vivendo e Aprendendo


“Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!” Chico Xavier
Antes de iniciar o meu escrito para esta edição, preciso agradecer o carinho que recebi de todos os leitores pelo artigo da edição passada, no qual falei sobre nossas queridas mamães. Obrigado por todas as palavras de incentivo, espero que continuem gostando!
Nesta edição quero falar de algo que está presente em nossas vidas há muito tempo, mas que só ganhou destaque nos últimos anos, e infelizmente, na maioria das vezes de forma deturpada.
Lembro como se fosse hoje, no auge dos meus seis anos de idade, estar sentado no pátio da escola com toda minha timidez, tendo que ouvir burburinhos e às vezes algazarras de onomatopéias indelicadas aos ouvidos de qualquer ser humano.
Lembro como se fosse hoje, passar por situações de conflitos, de dúvidas e da vontade que tinha de pegar uma pedra e jogar na cabeça de quem me importunava com a repúdia ao diferente, ao individual.
Lembro como se fosse hoje, das piadinhas sem graça que tinha de ouvir sobre meu comportamento em sala de aula por ser um aluno aplicado.
Enfim, lembro como se fosse hoje, que não tinha nenhum Chapolin Colorado para me salvar de tais agressões psicológicas e verbais.
Atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou por vários indívíduos que conseguem atingir pessoas sensíveis o bastante para não reagir da mesma forma, evitando assim, possíveis atitudes de violência física até a morte, acontecem a todo o tempo.
‘Ontem’ descobrimos que todas essas ações tem um nome e que esse, está solto na mídia como se fosse algo recente, de origem momentanea! Bullying, palavra difícil de se pronunciar, do inglês bully, que tem como significado  a expressão “valentão”.
Segundo o blog Anti-Bullying (in IBOPE), de 5.482 alunos entre 5ª a 8ª séries de 11 escolas do Rio de Janeiro, mais de 40,5% admitem ter praticado ou ter sido vítimas de bullying.
O bullying, infelizmente, já atinge 45% dos estudantes de ensino fundamental do país, seja como agressor, vítima ou em ambas as posições. De 2.000 entrevistados, 49% estavam envolvidos com a prática, 22% eram vítimas, 15% agressores e 12% vítimas agressoras. Vale ressaltar que essa pesquisa foi realizada com crianças de 6 a 12 anos de idade.
O psicólogo José Augusto Pedra, fundador do Centro Multidisciplinar de Estudo do Bullying Escolar, alerta que: “A vítima precisa de cuidados e o agressor também. O agressor leva esse tipo de comportamento para o resto da vida, ele vai manifestar isso no ambiente de trabalho, na futura constituição familiar e reproduz na criação dos filhos”. Ele ressalta ainda, que existem alguns sintomas e atitudes que podem (vejam bem a entonação de possibilidade), diagnosticar os possíveis agressores e provocadores de bullying, como: ira intensa, ataques de fúria, irritabilidade extrema, impulsividade, poucos amigos e inquietude física.
Hoje reafirma-se o quão importante é a família estar presente na vida de uma criança que vive no universo infinito da informática, ao mesmo tempo que isolado, submerso num ‘mundo’ de informações, modelos e referenciais ruins.
Hoje constata-se a necessidade de dar mais atenção aos nossos pequeninos, com o intuito de libertá-los das transgressões maléficas que a convivência poderá lhe apresentar no dia-a-dia.
Hoje, constata-se que é indiscutivelmente importante observar como, onde e com quem está o seu filho.
A diferença do ontem para o hoje? É que tudo neste mundinho globalizado virou motivo de análise, de se procurar especialistas e diagnosticar como doença.
O fato é que todos nós estamos passíveis de cometer agressão, discriminação, humilhação, provocações e até apelidos aos que convivem conosco. Qual a diferença? Onde está o limite? Já dizia Fernando Pessoa: ‘Tudo são maneiras de ver… Onde você vê um motivo para se irritar, alguém vê a tragédia total e o outro vê uma prova para sua paciência’.
O fato é que atualmente as coisas estão sendo completamente deturpadas. Qualquer atitude fora da realidade de uma determinada criança é motivo desta mesma criança praticar e/ou sofrer a ação de bullying. Transformamos nossas crianças em peças raras, dando-lhes a oportunidade de encenar o ato que quiserem nos espetáculos da vida. Observamos todos os dias casos de crianças praticando atos de violência contra outras e justificamos essa atitude através da vivência histórico-familiar desse indivíduo. Justificamos alegando que esse indivíduo produziu tal ação, porque já sofreu outro tipo de ação semelhante.
O fato é que precisamos encarar a realidade como ela é. Na minha época, ao invés de buscar psicólogos, psiquiatras ou qualquer ajuda especializada, os pais tinham autonomia enquanto pais, enquanto educadores, enquanto reponsáveis pela identidade dos seus filhos.
O que falta no mundo de hoje, não é buscar auxílio para as crianças, mas sim suporte para seus responsáveis assumirem o seu papel de autoridade diante destes. Lembro-me como se fosse hoje, que um olhar da minha mãe já me transmitia à noção do que eu podia ou não fazer. Mesmo sendo alvo de bullying durante minha infância e principalmente na minha adolescência, não sou um adulto complexado. Corrigir e dizer não, fazem parte do processo de educar um indivíduo.
Enfim, vale ressaltar, que transformar todas as ações negativas de ataque a um indivíduo, como prática de bullying, não resolverá o problema desse indivíduo enquanto um ser violento. É preciso mais do que isso. É preciso estabelecer limites, para que esses indivíduos tenham a noção do que é certo ou errado. Mesmo sendo dificil imaginar uma mudança em torno de tal comportamento nos dias atuais, nesta situação, faço minhas as palavras de Elisa Lucinda quando reafirma: “Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.” 
Pensem nisso!
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